Arquivo do mês: dezembro 2010

As 19 melhores da série “Garotas na janela” [PdH][Apimentadas]

Eu sempre achei fascinante a combinação de mulher, luz e janela. Às vezes é a luz do Sol que a pega trocando de roupa enquanto entro no quarto, às vezes é a luz noturna do poste que vem pela fresta e me entrega aquele sorriso escondido.

Poucas coisas valorizam tanto a beleza feminina quanto uma janela com luz entrando na medida exata, não sei por quê. Para investigarmos essa questão filosófica, reuni as melhores fotos da série “Garotas na janela”, que sugeri para o Apimentadas, projeto do PdH Labs há 6 meses no ar com mais de 2 fotos por dia.

Divirta-se:

Bônus

Adianto aqui as próximas da série (publicadas em breve no Apimentadas):

Foto: Bartosz Ludwinski

Foto: Dører Og Vinduer.

 

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O hábito de rotular pessoas pode matar [PdH]

Foto do autor

por Seiiti Arata
em 27/12/2010 às 12:56 | Artigos e ensaiosAtitude

 

Todo bom médico sabe que, ao tratar de crianças, é fundamental ouvir o que os pais têm a dizer, pois a “intuição materna” traz valiosas informações. Mas nessa história o rótulo de mãe intuitiva foi substituído e causou uma tragédia. Eis nosso ponto de partida para uma conversa sobre um tipo especial de cegueira.

 

Amy e a freguesa

O doutor Brian Hastings relata que uma mulher havia entrado desesperada no hospital com sua filhinha de dois anos. Amy estava sentindo dor de barriga, possível sintoma de uma simples má digestão, mas que estava acionando o instinto materno como algo possivelmente perigoso.

Apesar de existir uma longa lista de procedimentos, exames e análises que poderiam ser realizados na garota, os médicos da sala de emergência focalizaram sua atenção na mãe afobada, que tinha todos os jeitos de uma escandalosa sem noção. Amy e sua mãe foram mandadas de volta para casa porque tudo ficaria bem.

No dia seguinte, a cena se repetiu: a mãe estava ainda mais agitada, com a filha a tiracolo. Foi neste momento que os médicos olharam uns para os outros e sussuraram o rótulo “Frequent flyer (numa tradução livre, seria equivalente a dizer que a mulher era uma “freguesa”, apelido pejorativo para se referir a hipocondríacos e outros pacientes exagerados).

No terceiro dia, a mãe da garotinha retornou ao hospital e foi novamente ignorada pelos médicos, que se recusaram a realizar os exames devidos. Foi assim que Amy faleceu.

Bebida para criança ou uma das melhores cervejas do mundo?

No livro A Força do Absurdo (Sway: The Irresistible Pull of Irrational Behavior), Ori e Rom Brafman analisam os motivos de agirmos de forma irracional no mundo político, corporativo e mesmo ao lidar com a vida de pacientes, julgando em qual categoria eles se encaixam. Entre os diversos elementos como a pressão social e cálculo entre custo-benefício considerando equações incompletas, os irmãos Brafman listam a rotulagem como um dos fatores que causa ruído em nossa capacidade cognitiva.

Na visão dos irmãos Brafman sobre o caso de Amy, a partir do momento em que o rótulo de “freguesa” foi colado na testa da mãe desesperada, todos os médicos foram enfeitiçados por umaforça irracional de cegueira cognitiva.

Quando li essa história, acabei me lembrando de outro livro que segue uma linha de pesquisa muito semelhante, do Malcolm Gladwell. Blink: a Decisão num Piscar de Olhos conta como nossas primeiras impressões podem ser poderosas. Em alguns casos, um expert em arte pode bater os olhos em uma suposta relíquia encontrada em um campo arqueológico e dizer que é uma obra forjada. Nos primeiros capítulos , Gladwell aponta como nossa intuição pode ter mais eficácia do que uma análise de laboratório.

Abbie, a trombonista

O contraponto oferecido por Gladwell é que a nossa decisão do piscar de olhos pode também estar terrivelmente equivocada. Os rótulos podem ser impostos ao mundo coletivamente, como na época em que as mulheres não eram aceitas para tocar em orquestras. Nesse passado não muito distante, a única exceção feita pelas conservadores orquestras era quando o instrumento era considerado mais “feminino”, como o violino.

O rótulo específico era o de mulheres como seres inferiores e frágeis que nunca alcançariam a maestria musical em um instrumento complexo ou teriam a força física necessária para por exemplo assoprar um trombone com o impacto necessário.

Uma garota como Abbie Conant nunca teria vez no mundo da música clássica, pois a banca examinadora para seleção nas orquestras rapidamente colocaria um rótulo: sendo mulher, a qualidade de sua música seria inferior. Sua sorte foi que, durante os testes para a entrada na Filarmônica de Munique para a disputada vaga de trombonista principal, os candidatos (todos os outros homens) tiveram que tocar por trás de uma cortina, para evitar favoritismos políticos e para que os juízes da banca examinadora pudesse concentrar apenas na qualidade da música tocada.

Quando a melhor performance foi selecionada por unanimidade, os juízes alemães estavam ansiosos para ver quem era o poderoso homem com o fôlego de um gorila que havia realizado a performance impecável. Quando as cortinas se abriram, mal podiam acreditar que haviam escolhido uma garota. (Infelizmente, nos anos seguintes, a cortina da audição foi abandonada e o machismo contra Abbie não acabou).


Link YouTube | Palestra de Ori e Rom Brafman no Google (não entende inglês?)

Como não ser vítima do processo de rotulagem?

Como fazemos para aplicar os conceitos dos irmãos Brafman ou do Gladwell em nosso dia a dia, evitando as armadilhas da rotulagem consciente e inconsciente que utilizamos a cada minuto para não ficar malucos? Afinal, sem rotular conceitos, nosso cérebro derreteria. Ninguém quer dar tapinha na cabeça de um rottweiler raivoso só para dizer que não quer rotular o animal como um bicho perigoso. Precisamos de utilizar nossa capacidade de filtragem e cognição através de analogias, padrões visuais e experiências diretas e indiretas recebidas de amigos e da mídia.

Mas e quando estamos errados? Quando em nosso trabalho ignoramos as mães supostamente hipocondríacas e suas filhas? Ou quando coletivamente mantemos crenças de que uma garotinha nunca terá a capacidade física de tocar trombone tão bem como um gigante da Bavária?

Quando nosso modelo de mundo é rígido a ponto de causar irritabilidade com informações conflitantes às nossas crenças, permanecemos aprisionados na bolha criada pelo ego. O psicólogo Leon Festinger chama esse efeito de dissonância cognitiva: quando somos apresentados a uma informação conflitante, isso pode causar uma dor emocional que nos força a buscar uma forma de afastamento.

O Esopo tem a fábula da raposa e das uvas, que ilustra muito bem esse conceito. Uma raposa encontrou um apetitoso cacho de uvas pendurado em uma vinha alta. Depois de pular muito e notar que não teria como as saborear, ela vai embora, dizendo que as uvas ainda não estavam maduras o suficiente. É fácil desprezar aquilo que não conseguimos obter.

Uma prática para driblar esse mecanismo é o desapego, aceitando que as coisas podem ser (e provavelmente são) diferentes daquilo que achamos ser numa primeira olhada.

Só por que a embalagem é de papel marrom, significa que o produto é mais natureba?

Por isso é que pedi para o editor de conteúdo da nossa não-revista encerrar esse post. Deixo um agradecimento ao Gustavo Gitti por aceitar esse convite.

“Seiiti, o caso da Amy é impressionante! Mais triste ainda é ver quantas pessoas matamos, mutilamos, asfixiamos sutilmente todos os dias. Não só com primeiras impressões, masquando achamos que conhecemos alguém profundamente.

Como você, penso que o problema não é exatamente o processo de rotular. Aliás, não vejo sentido no discurso que trata rótulos como máscaras escondendo uma suposta essência. Os rótulos são funcionais em nossa navegação no mundo. Sem rótulos, morreríamos loucos ao tentar entender cada coisa em toda a sua profundidade ou, no outro extremo, manter todas as coisas indefinidas e misteriosas.

O problema começa ao acreditarmos nos rótulos, ao tomá-los como sendo a própria realidade. Tal cegueira não é tão simples de superar porque estamos bem presos ao nosso próprio referencial, autocentrados, olhando tudo a partir de nossa perspectiva, pensando que o mundo é apenas o que acontece nos 360º a partir de um ponto chamado “eu”.

Na mulher que dorme conosco, só vemos a esposa. No moleque que vive em nossa casa, só vemos o filho. Cremos que todas as pessoas, locais, objetos, situações são, neles mesmos, apenas aquilo que se construiu em sua relação conosco, apenas aquilo que são para nós. E não estou falando de imagem mental, mas a própria presença sensorial, tomando 100% de nossa percepção.

É muito raro um namorado que olha para a namorada e não vê apenas a namorada.

A saída que vejo não é tentar reprimir o processo inevitável de rotulagem funcional, mas viver além de si mesmo como referencial, cultivar interesse genuíno pelos outros, ser capaz de olhá-los em seus próprios mundos, transitar entre diversas perspectivas e principalmente perceber que as qualidades que atribuímos aos outros são relacionais, construídas entre nós, não são inerentes, não estão dentro do outro, não constituem o outro. O outro é sempre livre para agir além das identidades construídas na relação e nós seremos mais felizes se abrirmos espaço para surpresas assim.

Dizer que alguém é chato ou tímido, definir uma situação como dolorida ou alegre é como falar que uma sala é fria. O frio só existe em relação com a temperatura de nosso corpo, não como uma propriedade da sala. Do mesmo modo, o mundo não é senão a experiência que temos do mundo.

Para ampliar essa experiência, melhor do que focar nos rótulos é se relacionar com a natureza espaçosa que recebe os rótulos e com a natureza criativa que cola os rótulos – em nós, nos outros, em cada fenômeno.”

–Gustavo Gitti

 


Exigências da Vida Moderna [Crônica]

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia…
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo – e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher… na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal… Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!

Luís Fernando Veríssimo

 


8 presentes para brincar com as pessoas no Natal [Papo de Homem]

A época mais consumista do ano está se aproximando e nos deixando mais materialistas. Em vez de combater o mal com meditação ou dieta vegetariana, decidimos fazer uma lista de objetos para deixar sua vida mais divertida.

Não deixe de ir até o final para participar do sorteio.

 

1. Toyart do Cowboy do BOPE

Dias atrás, enquanto uma pequena guerra civil era deflagrada no Rio de Janeiro, surgiu uma figura ilustre. Um senhor barbudo de chapéu patrulhando o morro com um fuzil. É o cowboy do BOPE.

O mais legal é que você pode fazer o seu praticamente de graça, basta comprar os materiais eseguir o mapa feito pelo Tio Cleber.

2. Camiseta canguru

Blusões pulôver tipo canguru são tão 2010… A moda em 2011 é a camiseta canguru, com um grande bolso na altura do peito para levar seu iPad pertinho do coração. É sua por apenas 30 verdinhas. Dica do Craziest Gadgets.

3. Colar de esperma

“Este colar é uma representação fiel de sêmen”, disse a artista plástica responsável pela criação. Por apenas 420 verdinhas você consegue comprar e mostrar ao mundo que há muito mais entre uma vagina e um pênis do que sonha nossa vã pornografia.

“Amor, uma recompensa por você sempre engolir.”

Vem em dois modelos.

4. Amplificador de mesa

Este pequeno amplificador com adaptador USB é potente o bastante para mudar a rotina musical no seu escritório. Depois dele você é quem mandará na playlist, e ponto final. Por R$ 120 naMulher, Cerveja & Futebol.

5. Espada dos Thundercats

Tenha em seu poder a Espada Justiceira que protege o Olho de Thundera, o artefato místico que dá poder aos Thundercats, principal objeto de cobiça de uma múmia bombada chamada Mum-Ra, o Espírito Eterno. Todas essas referências a um desenho animado por apenas 65 doletas. Dica doEu Queru.

6. Despertador de tiro ao alvo

Todos concordamos que levantar de manhã é um saco e o despertador é o objeto mais abominável de qualquer lar saco roxo. Uma boa solução (caso você não possa fazer como o Gitti e abandonar essa maldição para despertar com a luz da aurora) é este aparelho, que só para de tocar depois que você o acerta com um tiro.

Acorde como o Dirty Harry por US$ 29 na USB Geek. Dica do Digital Drops.


Link YouTube

7. Pacote de camisinhas Kungfu Sutra

Nada melhor do que usar a tradicional arte do Kama Sutra para apimentar sua relação. Oh, wait! Estas camisinhas vêm em embalagens ilustradas com um mestre e uma discípula transando durante a luta. Ou lutando durante o sexo. Em ambos os casos, é um item bastante divertido.

Pacote com 8 camisinhas por US$ 17 aqui. Dica do Cool material.

8. Ganhe um tapete “Trouxe Cerveja?”

Vá até Mulher, Cerveja & Futebol, monte uma lista de desejos e poste o link aqui nos comentários.

Na quarta (22/12) vamos sortear via random.org um tapete de porta “Trouxe Cerveja?“, que torna qualquer casa totalmente à prova de visitas chatas.

Coloque na porta de entrada e preocupe-se apenas em garantir a comida.

 


Mulher que não sente medo pode ajudar cientistas a tratar fobias

Homem armado (Foto: Arquivo / Polícia de Manchester)
Paciente disse que já foi ameaçada com arma de fogo e não teve medo 

Uma mulher que não vivencia a sensação de medo é a última esperança dos cientistas para tratar fobias extremas e transtornos de estresse pós-traumático.

SM, uma mãe de dois filhos e 44 anos que permanece anônima, serviu de “cobaia” para pesquisadores da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, estudarem os efeitos da ausência de uma estrutura cerebral responsável pelas emoções.

Em um raro caso, a paciente teve as chamadas amígdalas cerebrais destruídas por uma doença. Essas estruturas em forma de amêndoa, uma de cada lado do cérebro, são conhecidas dos cientistas por estar associadas à geração de medo em animais, de ratos a macacos.

Em um estudo publicado na revista científica Current Biology, os pesquisadores afirmam que, pela primeira vez, é possível confirmar cientificamente que a ausência da amígdala também impede a experiência do medo em humanos.

“Para provocar medo, expusemos SM a serpentes e aranhas vivas, a levamos para um passeio em uma casa assombrada e lhe mostramos filmes de grande apelo emocional. Em nenhum momento ela manifestou medo, e nunca disse ter sentido senão níveis mínimos de medo”, escreveram os cientistas.

“Da mesma forma, ao longo de uma bateria de questionários de perguntas e respostas (avaliando o receio dela de morrer ou falar em público, por exemplo), três meses de amostras de experiências na vida real e uma história de vida repleta de eventos traumáticos, SM repetidamente demonstrou ausência de manifestações abertas de medo, e pouca experiência geral de medo.”

Os pesquisadores disseram ter ficado especialmente impressionados com a reação dela às cobras e serpentes vivas. Levada para uma loja de animais de estimação, SM começou a tocá-los imediatamente, “de curiosidade”.

Além disso, SM declarou ter passado por situações violentas potencialmente traumáticas – ela teria sido ameaçada com faca e arma de fogo, por exemplo –, sem manifestar nenhum temor.

Amígdalas têm relação com as emoções e as reações irracionais 

“Sem a amígdala, o alarme no cérebro que nos impede de evitar perigo fica ausente”, sintetizou o coordenador do estudo, Justin Feinstein.

“A paciente se aproxima exatamente das coisas que ela deveria evitar. Ao mesmo tempo, surpreendentemente, ela tem consciência do fato de que deveria evitá-las. É bem impressionante que ela ainda esteja viva.”

Tratamento

Apesar de sua falta de medo, SM é capaz de manifestar outras formas de emoções básicas e experimentar os sentimentos respectivos, disseram os cientistas.

Eles acreditam que as conclusões do estudo podem ajudar a direcionar o tratamento de pacientes com fobias extremas ou transtornos de estresse pós-traumático.

“No último ano, tenho tratado veteranos de guerra retornando do Iraque e do Afeganistão que sofrem com estresse pós-traumático. As vidas dessas pessoas são impregnadas de medo, às vezes eles não conseguem sequer sair de casa devido ao sentimento onipresente de perigo”, disse Feinstein.

Para o co-autor do estudo, Daniel Tranel, “psicoterapia e medicação são as opções existentes de tratamento de estresse pós-traumático, que poderiam ser refinadas e desenvolvidas com o objetivo de visar à amígdala”.

Artigo Original >> http://bbc.in/gsiVVn


O prazer de cagar em casa [PdH]

Foto do autor

por Danilo Barba
em 12/12/2010 às 11:22 | Crônicas e contos

 

É bem mais provável acordar com a própria tosse do que acordar tossindo. De qualquer forma, já era onze da matina e Olivo só tinha dormido três horas! Três malditas horas inúteis.

Talvez teria sido melhor ir trabalhar bêbado mesmo. Embalado. Pelo menos ele teria a sorte de perder aquela porcaria de emprego, que até agora só serviu pra pagar contas. Juntar? Nem pensar. É sacar e ir direto pra fila de filhos da puta viciados em amontoar toneladas de boletos multicoloridos e pagos. Olivo quase poderia jurar que há algum prazer nisso. Isso sim é uma coisa mórbida. E ainda tem gente que tem a cara de pau de lhe dizer que masturbação na sua idade é morbidez. Mórbido é o caralho!

Olivo se levantou só de cueca e tossiu como um doente terminal. Fora obrigado a fumar dois maços de Marlboro vermelho na casa da Pri. Não havia nenhum desgraçado que fumasse Lucky e ainda por cima a riquinha morava perto de tudo, menos de uma padaria ou de algum boteco qualquer.

Sentou no vaso pra mijar e começou a pensar na porcaria do trabalho. Aquele maldito judeu! Fora que, como toda ressaca, daria o tempo exato de chegar até lá cagando nas calças. Olivo simplesmente tinha aversão aos banheiros públicos. Sentia tanto nojo da cara das pessoas nos transportes públicos que uma vez chegou a entrar no metrô com uma luva cirúrgica na mão direita, para segurar no apoio, e uma touca que cobria os olhos, enquanto tateava o caminho com a outra mão.

De repente veio. De repente como trabalhar sem chefe numa sexta-feira, ou achar a última cerveja perdida na geladeira. Todo aquele vinho do porto, caipirinha de saquê, cerveja a noite inteira; tudo estava de volta, querendo proporcionar um prazer superior ao da entrada ou do durante. O prazer final. Olivo sentiu suas entranhas rufarem num prelúdio. Terrível.

Então se forçou a lembrar das centenas de banheiros estúpidos dentro dos quais travou guerras contra si e contra o mundo. Banheiros cheios de resto de gente que cagava feio e deixava tudo ali. Não que ele também não deixasse tudo aquilo pra trás com orgulho e foda-se. Mas ser pego de surpresa nesta situação é quase uma crueldade.

Os espasmos de uma diarreia de ressaca se tornam contrações de um filho, quando se está em casa. Um filho elaborado com paciência e com muito amor, porém feio, repugnante e renegado. Um filho sem pais, do qual todos somos ensinados a ignorar, esconder, a tornar asqueroso aos olhos de todos. Cague e seja feio. Pronuncie a palavra em voz alta e você vira sapo.

Olivo já viu uma porrada de camisetas do tipo “Jesus, este nome tem poder”, mas seria uma experiência interessante fazer uma camiseta “Cagar, este verbo tem poder”.

Nascemos cheirando a merda. Tudo o que tem um cú acaba cheirando o rabo do outro em algum momento. Não é lei, não é passível de julgamento. Simplesmente é. Os heterossexuais são aqueles que seguram a merda enquanto lêem gibis velhos.

Olivo se levantou e contemplou o sopão. Nada como cagar em casa. Era possível até sentir orgulho. Um orgulho idiota e inútil, mas era uma bosta completa e alguém a fez.

Quando foi se limpar tirou a sorte grande: o papel voltou branco e seco. Um novo homem saia do banheiro de seu lar.

 


E se sua namorada parasse de se depilar? [PdH]

Quer ver como nosso olhar é condicionado? Imagine um mundo no qual apenas umas poucas mulheres “estranhas” se depilassem, admiradas por uma pequena parcela de homens, sendo que a grande maioria de nós gostasse mesmo é de mulher com pelo.

Se não ficou claro, olhe o ensaio “Retro Bush” da fotógrafa Arvida Byström para a revista Vice e observe se consegue ficar maluco de tesão:

Foto: Arvida Byström.

Foto: Arvida Byström.

Foto: Arvida Byström. | Sua namorada provavelmente é assim, mas esconde com medo de parar de ser lambida por você.

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