Conflitos no Rio de Janeiro: vale a pena acompanhar? [Papo De Homem]

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por Seiiti Arata
em 28/11/2010 às 9:30 | DebatesMundo

 

Todo mundo tem algum amigo que, apesar de muito boa gente, está compartilhando por email, Twitter ou Facebook as notícias de atrocidades e terror no Rio de Janeiro. Ou simplesmente usando o muro das lamentações digital para destilar comentários de que a Globo só presta desserviços ao informar bandido, aumentar o caos, sensacionalismo, visões preconceituosas…

 

Ao invés de mandar um “Não. Porra.”, eu acabo é filtrando essas fontes de informação. Quando li o The 4 Hour Work Week, traduzido no Brasil como Trabalhe 4 Horas por Semana, me identifiquei com a ideia da dieta informacional, proposta pelo autor Tim Ferriss. Depois escrevo um post mais completo sobre ele.

Curiosamente, eu já praticava esse princípio antes mesmo de conhecer o livro, pois faz mais de doze anos que não leio jornal, revista genérica ou assisto televisão.

Créditos: Robson Fernadjes (G1) | Focar em outras realidades pode servir como uma fuga dos problemas ao nosso redor?

A Dieta Informacional

O livro propõe identificar exatamente o que é que se pretende fazer da vida, para então praticar uma eliminação seletiva de informações que processamos. Para dar um exemplo, no caso atual de conflitos no Rio de Janeiro entre a polícia e traficantes, é uma grande perda de tempo ficar acompanhando noticiário ou tuitando a respeito, como espectadores do sensacionalismo.

O mesmo se aplica à Copa do Mundo ou eleições presidenciais, que ignorei de propósito. Não tenho a menor ideia de quem é o tal Justin Bieber, que é criticado tanto.

Essa minha alienação é proposital, para que eu não desperdice meu tempo em atividades onde tenho pouca ou nenhuma influência direta.

Prefiro focalizar na qualidade do meu trabalho, em dar a devida atenção para minha família, aos bons amigos, em ir para a academia garantir saúde para manter tudo em harmonia. No caminho, vou ouvindo um dos vários podcasts da Personal Life Media e me torno mais informado sobre tópicos que me permitem fornecer mais valor quando escrevo livros ou posts. Leio pelo menos um livro por semana (alguns que recomendo estão na minha lista de leitura da Amazon que só está visível para quem faz parte da minha rede de contatos – convido você a usar o email seiiti@papodehomem.com.br para podermos conectar)

Egoístas malditos x Maníacos por otimização

Tenho certeza que a esmagadora maioria dos leitores está me xingando de todas as formas possíveis, pois o que acabei de descrever é o comportamento de um egoísta maldito que não merece viver em uma civilização.

Quem ainda está lendo o post e ainda não foi clicar nos comentários para me criticar pode ter a mente aberta para discutir um conceito que eu compreendi melhor após estudar com um mestre da hipnose, o Igor Ledóchowski.

Relaxe e use seu poder de imaginação para visualizar a seguinte situação: você está no trânsito. E vê uma ambulância se aproximando, em alta velocidade, com as luzes de emergência girando e com aquele “uó uó uó”, que produz o Efeito Doppler dos exercícios de física do colegial.

A ambulância ultrapassa o sinal vermelho. Como você se sente?

Créditos: Felipe Dana (G1) | Ao ver imagens assim na TV ou na Internet, você realmente acredita saber o que lá acontece?

Mantenha esse pensamento em mente. Continue visualizando que, logo após a ambulância, passa uma BMW conversível vermelha, e um cara dirige seguindo a ambulância, também ultrapassando o sinal vermelho, na cola da ambulância.

Bom, na maioria dos casos, nós ficaríamos preocupados com a vida de quem a ambulância está procurando salvar… e com ódio do malandro que dirige a BMW conversível, se aproveitando da situação para tirar vantagem do trânsito.

O que Igor propõe é reexaminar a situação caso o cara da BMW seja o marido da moça em apuros dentro da ambulância, desesperado para chegar ao hospital junto com ela. Com essa informação, nossa interpretação da situação pode ser alterada.

Faço um convite semelhante ao do Igor Ledóchowski para quem se ofendeu com o conceito da Dieta Informacional. Olhar apenas o fato de que estou apresentando a Dieta Informacional pode gerar a interpretação negativa, como o do malandro atravessando o farol vermelho. Contextualizo a proposta, explicando o propósito que deve acompanhar a Dieta Informacional para não nos tornarmos carrapatos sociais.

Insisto nessa explicação principalmente para o caso dos leitores PdH que moram no Rio de Janeiro ou que possuem amigos queridos no meio do triste caos e violência que afeta nosso país inteiro. Esse grande parênteses é para usar a capacidade da mente em atribuir diferentes valores, para os mesmos fatos, porém em diferentes contextos.

Eu também concordo que uma pessoa que fica alienada à vida política e social não merece fazer parte da sociedade, pois está apenas sugando valor. Ao mesmo tempo, acho que não traz nenhuma serventia para a sociedade somente o fato de ficar igual uma vítima assustada diante da televisão e lendo jornais. Ou tuitando críticas à Globo e afins.

O fato de assistir ao noticiário nos dá um conforto psicológico de estar bem informado e satisfaz nosso cérebro reptiliano em ver policiais roots explodindo bombas e cabeças voando. Dá material para aquela conversa de bebedouro na firma.

Créditos: Anderson Ramos (iG) | Ver um traficante preso por dia realmente aumenta nossa compreensão e empatia ou apenas reforça preconceitos?

Mas, no final da história, ficar vidrado com essas notícias não é muito diferente de ficar irritadinho contra as vuvuzelas ou incomodado por causa da chuva no meio do feriado. Quando a gente tenta lutar contra a realidade, sempre perdemos.

Nesse caso, qual seria a alternativa ao egoísta maldito? Eu tenho afinidade pelo maníaco por otimização. Que entende que seu recurso de tempo e energia pode ser melhor utilizado fazendo outra coisa ao invés de acompanhar o Datena na telinha ou ler jornais genéricos que apenas narram os fatos (e ainda por cima de forma tendenciosa).

O maníaco por otimização procura uma forma para contribuir para a sociedade com as formas que acredita serem úteis no processo de transformação. No meu caso, invisto algumas horas escrevendo sobre o caso de um empreendedor de sucesso, pois pode ser uma pequena fagulha que estimula alguém a iniciar um projeto. Ou rabiscar um cartum sobre hábitos de consumo, mesmo que eu não tenha talento ou treinamento artístico.

O maníaco por otimização faz aquilo que pode. E, paralelamente, continua investindo seu tempo e recursos para aumentar sua capacidade de fazer ainda mais.

O maníaco por otimização decide excluir informações que o tornam refém passivo da mídia, pois tem muita coisa a ser feita ao seu redor.

*Leia complementar: “A crise no Rio e o pastiche midiático”, de Luiz Eduardo Soares.

 

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